ENTRETENIMENTO
02/01/2019 20:03 -02 | Atualizado 02/01/2019 20:04 -02

'WiFi Ralph' naufraga em mar de merchandising disfarçado de referências à cultura pop

Há ótimas ideias na nova animação da Disney, mas de boas intenções a deep web está cheia.

A nova aventura de Ralph e Vanellope discute a aceitação das diferenças levando esses personagens de games retrô para o interativo ambiente da internet.
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A nova aventura de Ralph e Vanellope discute a aceitação das diferenças levando esses personagens de games retrô para o interativo ambiente da internet.

Questões como bullying e machismo fazem parte da realidade dos jogos online. A guerra psicológica de jogadores que podem se comunicar entre si não poupa ninguém. Muitas gamers, por exemplo, jogam com nicknames masculinos ou indefinidos para não sofrer boicote ou enxurradas de baixarias do jogadores homens. Um quadro que faz um paralelo interessante com WiFi Ralph, nova animação da Disney que estreia nos cinemas nesta quinta (3).

Enquanto seu predecessor, Detona Ralph (2012) utilizava o universo dos jogos retrô para falar sobre autoafirmação, a nova aventura de Ralph e Vanellope discute a aceitação das diferenças levando esses personagens de games nada interativos para o ambiente da internet.

Pena que um assunto tão conectado com o mundo atual se perca em um roteiro repetitivo, diálogos didáticos demais e um mar de merchandising disfarçado de referências à cultura pop.

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Ralph e Vanellope perdidos entre os leilões do eBay.

Querendo ajudar sua amiga Vanellope, que está entediada com as pistas de seu jogo, a Corrida Doce, Ralph, o vilão do game Conserta Felix Jr., entra no jogo da amiga e, sem querer, acaba ajudando uma jogadora a quebrar o volante do fliperama. A peça, hoje algo raro, só pode ser achada no eBay, e é muito cara, o que inviabilizaria o funcionamento da máquina.

Desesperados para salvar o futuro da Corrida Doce, Ralph e Vanellope embarcam rumo à internet para poder encontrar um jeito de comprar o volante. Entre uma e outra tentativas, eles apostam em créditos de um jogo online e até em vídeos virais.

Mesmo que seja bem mais infantil que o primeiro filme da franquia, ainda há coisas interessantes para todas as idades em WiFi Ralph. Principalmente a tão falada cena das princesas da Disney. Pelo menos nessa sequência o estúdio acerta em cheio ao rir de si mesmo, dando um tom mais "realista" à fantasia alienada de suas heroínas sempre dependentes de "príncipes encantados".

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A famosa "cena das Princesas".

Outra boa sacada é transformar a virtualidade da internet em algo físico, como os leilões do eBay, os dispositivos de busca, a indústrias dos vídeos virais, a caça psicótica por tendências que se esvaem em questão de segundos e até aquelas insuportáveis propagandas pop-up.

O problema é que a história em si é engolida por essas "referências" que, no final das contas, não passam de uma forma de faturar uma graninha extra. Além disso, Ralph é tão grudento e chato, que várias vezes nos pegamos torcendo para que Vanellope se livre logo dele.

WiFi Ralph é um exemplo típico de que apenas boas ideias não fazem um bom filme. E de que de boas intenções a deep web está cheia.