POLÍTICA
07/01/2019 14:10 -02 | Atualizado 07/01/2019 14:10 -02

Presidente do Ibama pede exoneração após ataque de Bolsonaro

Presidente insinuou irregularidades em contrato de R$ 28 milhões para aluguel de carros.

 "Estamos em ritmo acelerado, desmontando rapidamente montanhas de irregularidades", escreveu Jair Bolsonaro.
HuffPost Brasil
"Estamos em ritmo acelerado, desmontando rapidamente montanhas de irregularidades", escreveu Jair Bolsonaro.

A presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Suely Araújo, pediu exoneração nesta segunda-feira (7), após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o presidente Jair Bolsonaro, questionarem contrato da autarquia para aluguel de veículos.

Nomeada em 2016 pelo presidente Michel Temer e indicada pelo então ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, a urbanista, advogada e cientista política decidiu antecipar sua saída. Ela será substituída pelo procurador da União Eduardo Fortunato Bim, escolhido pelo novo governo.

No último domingo (6), Ricardo Salles publicou a frase "Quase 30 milhões de reais em aluguel de carros, só para o IBAMA...." com a imagem de um extrato de contrato de R$ 28,712 milhões do instituto para aluguel de carros.

O texto, publicado no Diário Oficial da União no dia 10 de dezembro de 2018, detalha serviço de "locação de veículos utilitários, sem motorista, com fornecimento de combustível e pagamento mensal fixo mais quilometragem livre rodada", com vigência de 7 de dezembro de 2018 a 7 de dezembro de 2019. A contratada é a Companhia de Locação das Américas.

Bolsonaro retuitou a postagem de Salles, com o comentário "Estamos em ritmo acelerado, desmontando rapidamente montanhas de irregularidades e situações anormais que estão sendo e serão comprovadas e expostas. A certeza é; havia todo um sistema formado para principalmente violentar financeiramente o brasileiro sem a menor preocupação".

O presidente apagou a publicação minutos depois.

Em resposta, a presidente do Ibama afirmou, em nota, que o novo contrato de aluguel de veículos de fiscalização para todas 27 unidades da Federação "abrange 393 caminhonetes adaptadas para atividades de fiscalização, combate a incêndios florestais, emergências ambientais, ações de inteligência, vistorias técnicas etc" e inclui os gastos com "combustível, manutenção e seguro, com substituição [dos veículos] a cada dois anos".

De acordo com Suely Araújo, o valor estimado inicialmente para o serviço era superior e o processo de licitação cumpriu toda exigência legais e foi aprovado pelo TCU (Tribunal de Contas da União). "A acusação sem fundamento evidencia completo desconhecimento da magnitude do Ibama e das suas funções", diz o texto.

O Ibama refutou "qualquer insinuação de irregularidade" e disse esperar que o novo governo "dedique toda a atenção necessária às importantes tarefas a cargo do Ibama, e não a criar obstáculos à atuação da Autarquia".