POLÍTICA
08/01/2019 15:33 -02 | Atualizado 08/01/2019 15:33 -02

Ministros de Bolsonaro se desentendem e não apresentam medidas prioritárias

General Heleno negou anúncio de ações nos 100 primeiros dias prometido por Onyx Lorenzoni.

"Cobrem dele [Onyx], não é minha função", disse general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional.
Montagem / Getty Images
"Cobrem dele [Onyx], não é minha função", disse general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional.

Na segunda reunião ministerial do novo governo, titulares da Esplanada dos Ministérios deixaram de apresentar, mais uma vez, as primeiras medidas da gestão de Jair Bolsonaro. As informações distintas de integrantes da equipe também se repetiram.

Após o encontro de 3 horas nesta terça-feira (8), na Sala de Reuniões do 3º andar do Palácio do Planalto, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, negou que haja metas para os 100 primeiros dias de governo, prometidas pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, na semana passada.

"Que história é essa de esboço [para os 100 primeiros dias de governo]? Eu não apresentei esboço nenhum. A reunião não foi disso. Tem um livrinho aqui, que foi distribuído, acho que fala qualquer coisa de 100 dias, do Conselho de Governo... Não tem nada disso [medidas prioritárias]", afirmou o ministro do GSI a jornalistas.

Considerado um dos nomes mais influentes no Planalto, general Heleno disse que a cobrança sobre metas prioritárias deveria ser feita ao ministro da Casa Civil. "Cobrem dele [Onyx], não é minha função", disse.

Na última quarta-feira (2), após a primeira reunião ministerial, Onyx Lorenzoni disse que as prioridades do governo seriam apresentadas no próximo encontro do titulares da Esplanada. Na semana passada, não foram anunciadas medidas concretas, apenas um pente-fino nos últimos gastos e atos do governo Michel Temer.

Comunicação do governo Bolsonaro

Os ruídos na comunicação têm chamado a atenção do presidente, que não quer passar a imagem de desentendimentos entre sua equipe. Nesta segunda-feira, general Heleno chegou a dizer que Onxy e Paulo Guedes, ministro da Economia, eram "best friends". "Não teve rusga nenhuma, nem rusga, nem carrinho por trás, nem tesoura voadora, não teve nada", disse a jornalistas.

Na primeira semana de governo, Bolsonaro chegou a anunciar mudanças nas alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e do Imposto de Renda, desmentidas pela equipe, posteriormente. O mesmo ocorreu no governo de transição e na campanha.

Segurança Pública

Nesta terça, os ministros falaram apenas de maneira superficial de suas áreas, sem apontar futuras ações. Nem mesmo a reforma da Previdência, medida prioritária, foi detalhada.

O ministro da Saúde, Luiz Mandetta, disse à agência de notícias Reuters, que a pauta foi voltada para segurança, crise hídrica no Nordeste e iniciativas na área de ciência e tecnologia.

Onyx Lorenzoni, por sua vez, disse à TV Globo que o decreto que flexibiliza a posse de armas de fogo será editado até a próxima semana. A intenção é acabar com a necessidade de a pessoa apresentar um motivo para que o delegado da Polícia Federal conceda a licença para posse de armas.