ENTRETENIMENTO
09/01/2019 08:24 -02 | Atualizado 09/01/2019 11:25 -02

'The Americans': Os momentos mais marcantes da vencedora do Globo de Ouro

Um passeio pela montanha-russa de emoções do casal de espião que mais odiamos amar.

Série que terminou em 2018 após 6 temporadas foi coroada com o Globo de Ouro no domingo (6).
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Série que terminou em 2018 após 6 temporadas foi coroada com o Globo de Ouro no domingo (6).

[ATENÇÃO, CONTÉM SPOILERS]

Premiada com o Globo de Ourode Melhor Série de Drama em sua primeira e última indicação, The Americans encerra seu ciclo com a única estatueta de uma das principais premiações da TV que lhe faltava, coroando uma das melhores - e mais subestimadas - séries da última década.

Estrelada pela americana Keri Russell e pelo inglês Matthew Rhys, que acabaram tornando-se um casal na vida real, The Americans tem como protagonistas Elizabeth (originalmente Nadezhda) e Philip Jennings (Mischa), dois espiões soviéticos infiltrados como uma família tipicamente americana na Washington da década de 1980.

Incrível é que mesmo tratando sobre a Guerra Fria, há 3 décadas, a série conversa muito bem com os Estados Unidos atual, principalmente o da nova era Trump e sua relação nebulosa com a Rússia de Putin.

The Americans é muito mais que um thriller de espionagem com sequências de ação de tirar o fôlego. Ao mesmo tempo que simpatizamos com os dramas pessoais e familiares de Elizabeth e Philip, a dupla sempre acaba mostrando seu lado sombrio, chantageando, torturando e matando pessoas sem piedade. Um dilema moral tão profundo que não se via desde a Família Soprano.

Outra característica marcante da série são suas sequências musicais, onde a canção conversa com a cena e em alguns momentos pauta até mesmo o ritmo da sequência de forma surpreendente.

Veja aqui alguns dos momentos mais marcantes das seis temporadas de The Americans:

Philip corta um colega da KGB em pedacinhos (6ª temporada, EP 7)

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The Americans

The Americans é prolífica em cenas grotescas, mas sem nunca deixar de dar um aspecto humano a elas. Em uma operação frustrada, Philip precisa se livrar do corpo de outro agente da KGB. Mesmo farto de tanta violência, ele não pensa duas vezes em fazer o que é o certo para manter sua fachada como espião e simplesmente desmembra o colega morto a machadadas. Na cena não há praticamente nenhum diálogo, mas esse peso do mundo sob as costas é percebido apenas na troca de olhares entre Russell e Rhys. Brutal, mas muito tocante.

In The Air Tonight (1ª temporada, EP 1)

Logo no 1.º episódio de The Americans somos apresentados a um casal que não se conecta. Que se mantém junto para cumprir uma missão, mas que não suporta mais viver sob um mesmo teto. Philip ama Elizabeth, mas ela não consegue priorizar a vida em família em detrimento de seu dever patriótico. Em uma das primeiras e mais relevantes sequências musicais da série, a canção de Phil Collins traduz com exatidão esse sentimento de distanciamento que precisa ser ignorado por um "bem maior" para o cumprimento da missão, mas que tornou-se em algo impraticável para os dois.

Martha é obrigada a fugir para a URSS (Temporada 4ª, EP 8)

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Por mais que as mortes afetassem a relação do público com seus "heróis", nada que aconteceu em The Americans foi mais de cortar o coração do que o caso de Martha (Alison Wright). A secretária do diretor do setor de contraespionagem do FBI era apaixonada por Philip, ou Clark, como ela o conhecia. Sempre doce e solícita, ela traiu seu país por amor e como recompensa teve de fugir para a URSS sem o homem que amava e sem sequer poder se despedir de seus pais. E foi ainda mais triste quando em uma breve cena da 5ª temporada a vemos solitária, fazendo compras em um deprimente mercado de prateleiras vazias em Moscou.

Phillip questiona a religião ao perder a paciência com Paige (2ª temporada, EP 9)

A relação de Paige (Holly Taylor), filha mais velha do casal Jennings com o pastor Tim (Kelly AuCoin) foi um dos grandes motivos de tensão da 2ª e 3ª temporadas. E foi por conta dessa fase religiosa da filha que Phillip, que sempre tendeu a defender quando Elizabeth brigava com ela, perde a paciência e comete o ato que causou mais polêmica que qualquer uma das inúmeras mortes: rasga a bíblia e diz que Paige respeita Jesus, mas não os pais dela. Imagine um protagonista que é um agente comunista rasgado uma bíblia em um país conservador e predominantemente cristão como os Estados Unidos.

A morte de Nina Krilova (4ª temporada, EP 4)

Nina (Annet Mahendru) era uma das personagens mais misteriosas da série. Funcionária da embaixada soviética (toda formada por agentes da KGB) em Washington, ela fingiu ser uma traidora e se envolveu romanticamente com o agente Stan Beeman (Noah Emmerich), além de ser amante de um colega de KGB, Oleg Burov (Costa Ronin). Sua morte era esperada - pois ela vivia na corda bamba que nunca ficou muito claro para qual lado pendia -, mas da forma abrupta e dramática que foi, surpreendeu muita gente. Ainda mais depois de termos um gostinho de esperança. Outro dos milhares de personagens de The Americans que teve um final trágico.

A sensação que tudo está acabando da pior maneira possível com With or Without You (6ª temporada, EP 10)

Um dos principais agentes do setor de contra espionagem do FBI, Stan era vizinho e melhor amigo dos Jennings. No começo ele desconfiou dos dois, mas depois tornou-se tão íntimo da família que virou até aquele tipo de vizinho folgado que chega sem avisar e abre a geladeira sem pedir autorização. Henry, filho mais novo dos Jennings, chegou a ter relação paterna com Stan bem mais estreita que com seus próprios pais.

"Você era meu único amigo", disse Philip quando Stan os confrontou depois de saber a verdade. "Minha vida toda. Por todos esses anos, minha vida era a piada. Não a sua", completou Philip. Stan acaba mentindo para o FBI e dá uma chance para que os Jennings escapem, mas o estrago já está feito e o destino amargo de todos os personagens está selado. Tudo isso ao som de uma das mais emocionantes letras do U2.

A famigerada cena da mala (3ª temporada, EP 2)

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The Americans

Sem a menor dúvida, a "cena da mala" é a sequência mais difícil de assistir da história da TV. E não há uma gota de sangue nela. A morte nem sempre acaba quando a vida termina em The Americans. Para ajudar um de seus contatos, que estrangulou uma mulher com quem se envolveu em um quarto de hotel, Elizabeth e Philip precisam se livrar do corpo. A solução? Dobrá-lo ao ponto de caber em uma mala, quebrando vários ossos do cadáver. Não vemos praticamente nada, mas ouvimos cada osso se rompendo. É muito mais assustador que qualquer filme de terror slasher que você já viu na vida.

A sequência de The Chain (3ª temporada, EP 7)

De todas as sequências pontuadas por música - e olha que são muitas! - em The Americans, a que usa o clássico do Fleetwood Mac é, disparada, a melhor. A música pontua cada passo da cena em que Philip e Elizabeth lideram uma missão para raptar um agente sul-africano. As batidas da bateria de Mick Fleetwood crescem como o tique-e-taque de uma bomba-relógio em um crescendo que tudo se encaixa tão bem com a ação que a a música parece ter sido escrita especialmente para essa sequência.


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